FALSO FRIO

Frio que desaba em dias de inverno, paixões atrofiadas por conseqüência do mundo, das idéias, das futilidades diárias de pessoas sem direção. Amores desgastados por brisas gélidas de ignorados diálogos, que causam tempestades de temperamentos congelados, mostrando cabeças moderninhas que mais parecem desconexões vagas da inércia do tesão. É o mundo de hoje, vêm cá que sou teu, você é minha, nós somos isso e aquilo, mas nunca um para o outro e uma para mim. Confusões de temperaturas corporais exaltadas pelo poder da chama reprimida, do vago momento de prazer solitário, da masturbação de desejo por um futuro melhor, mais justo e unido para um mesmo fim, ou quem sabe, começo. São partículas caídas do céu de inverno esfriando os corações quentes, icebergs movendo-se loucamente sem direção para atracar aonde tenham um pouco de vapor do amor. Minha loucura afronta os climas de barreiras criadas para afastar o fogo do inconsciente individual, lutas constantes contra o mau, com “u”, universo solitário de desejos mortais, morais, atuais e banais. Mundo moderno, ninguém é de ninguém, somos todos de Deus, de nós, teu, meu, seu, foda-se!! O que importa é ser, o que aparecer, aonde quiser. Sentir o vento bater nas canelas, deixá-lo subir pela cútis e perceber a atual essência desmistificada da realidade do objetivo final. Noites a fio, dias a mil, mentes perigosas transbordadas de diálogos hipócritas por uma conquista, mentiras de verão angustiadas pela duvida, pela falta de próprio conhecimento. Uma chuva rápida lavando as sujeiras impostas por nós mesmos, breques sem freios deslizando numa estrada escura, excitante, empolgante, triunfante e por fim, frustrante. Falsos amores, falso inverno, falso aquecimento peitoral, falsas idéias reprimidas por uma ilusão de felicidade externa. Está ai e aqui dentro, as respostas das perguntas sem fim, o juízo sem a menor decência, que hoje em dia é caracterizado por pensar que sabe gostar, pensar que sabe amar, se arriscar para tentar e, no final, ou melhor, um dia, descobrir que deixar a frente fria dominar é tampar o céu da bela claridade. Tens frio? Tenho frio. Se aqueça na sábia voz dentro de nós. Amor? Cegueira. Que numa noite fria de inverno consegue sentir a presença do olhar amado.
Escrito por Sid às 15h06
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