SEJA BEM VINDO!

SID




Bom Final de semana...

 

Para iniciar o final de semana um sambinha de qualidade. Mas por favor, não ouça só com os ouvidos superficiais da pele, ouça com a alma, preste atenção na letra, nas entrelinhas, no trecho que sublinhei.

"Viva intensamente cada momento da vida, os pequenos, sadios, simples, o amor, pois ela está passando cada vez mais rápido e quando for parar pra pensar, se olhar, terá deixado para trás e perdido o que poderia ter lhe feito feliz." (Pérola - uma sábia amiga)

 

Tom Vinícius Toquinho e Miúcha - Berimbau / Canto Ossanha

 

 

 

Canto de Ossanha

O homem que diz "dou"
Não dá!
Porque quem dá mesmo
Não diz!
O homem que diz "vou"
Não vai!
Porque quando foi
Já não quis!
O homem que diz "sou"
Não é!
Porque quem é mesmo "é"
Não sou!

O homem que diz "tou"
Não tá
Porque ninguém tá
Quando quer
Coitado do homem que cai
No canto de Ossanha
Traidor!
Coitado do homem que vai
Atrás de mandinga de amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Não Vou!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Amigo sinhô
Saravá
Xangô me mandou lhe dizer
Se é canto de Ossanha
Não vá!
Que muito vai se arrepender
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer
Pergunte pr'o seu Orixá
O amor só é bom se doer...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Dizer!...

Que eu não sou ninguém de ir
Em conversa de esquecer
A tristeza de um amor
Que passou
Não!
Eu só vou se for prá ver
Uma estrela aparecer
Na manhã de um novo amor...

Vai! Vai! Vai! Vai!
Amar!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Sofrer!
Vai! Vai! Vai! Vai!
Chorar!
Vai! Vai! Vai! Vai!


 

Berimbau

Quem é homem de bem
Não trai!
O amor que lhe quer
Seu bem!
Quem diz muito que vai
Não vai!
Assim como não vai
Não vem!...

Quem de dentro de si
Não sai!
Vai morrer sem amar
Ninguém!
O dinheiro de quem
Não dá
É o trabalho de quem
Não tem!
Capoeira que é bom
Não cai!
E se um dia ele cai
Cai bem!...

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...

Se não tivesse o amor (2x)
Se não tivesse essa dor (2x)
E se não tivesse o sofrer (2x)
E se não tivesse o chorar (2x)
Melhor era tudo se acabar (2x)

Eu amei, amei demais
O que eu sofri por causa de amor ninguém sofreu
Eu chorei, perdi a paz
Mas o que eu sei é que ninguém nunca teve mais, mais do que eu

Capoeira me mandou
Dizer que já chegou
Chegou para lutar
Berimbau me confirmou
Vai ter briga de amor
Tristeza camará...



Escrito por Sid às 13h16
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Conto da Quinta 

 

É SÓ UM PEGUINHA

 

 

 

 

 

 

 

Olhou para o lado e a segunda garrafa de vinho tinto seco já estava aberta.

Já passava das 22 horas quando decidiu não ficar mais em casa. Era uma sexta-feira e a única coisa que pensava era na raiva que transitava pelo seu corpo, fazendo cada pêlo se arrepiar diante a idéia de ficar em casa, das indignações que vinha tendo sobre a vida, o mundo e as pessoas.

Parecia ter alguém dentro do seu corpo lhe empurrando para fora da própria casa, uma voz dizendo que a noite estava de braços abertos para as aventuras escuras que só esse momento do dia proporciona.

 

E foi, seguindo seu instinto, que agora já não tinha certeza de ser seu mesmo. Após passar por vários bares decidiu parar num onde provavelmente encontraria algum conhecido.

E encontrou não um, mas vários se preparando para uma festa. Por que não? Pensou. Voltou para o carro e seguiu rumo a uma casa desconhecida, bonita, com portões altos, um belo gramado, muitos carros parados, gente entrando e muita bebida nas mãos alheias.

 

Ao entrar já se ouvia o som alto da pista de dança, porém, preferiu ir ao banheiro antes. Quando saiu deu de cara com um amigo de infância, que não estava no bar, mas havia marcado com todos de se encontrar lá. Um belo sorriso abriu a conversa dos dois, que em menos de meia hora já estavam bebendo e conversando com algumas garotas.

 

Embora um tanto deslocado dos assuntos, nunca era esquecido pelas pessoas que ali estavam e por uma em especial sempre ganhava um olhar a mais. Decidiu dar uma volta para respirar e o que mais encontrou foi fumaça. Uma breve tontura sentiu ao passar pela pista, mesmo assim entrou e viu todo tipo de gente dançando com todo tipo de gente.

Seus pensamentos, que estavam aéreos ao sair de casa, agora já nem lhe pertenciam, o corpo era um simples coadjuvante da sua alma. Encostou na parede e um mulher veio lhe falar algo, não ouviu, ela continuou até beijar-lhe o rosto. Ele virou-se, a mediu e saiu andando, como se em sua frente estivesse um vulto de energia negativa tentando levá-lo para as mais profundas experiências promíscuas. Talvez um lapso de consciência que teve nessa noite.

 

Já no quintal sentou-se numa mesa vazia e antes mesmo de se ajeitar seus amigos já estavam ao seu redor dando risadas, falando alto, sentando-se, chamando algumas garotas e manuseando algo que não conseguia enxergar.

A maconha já rolava solta quando percebeu do que se tratava. Nunca havia experimentado, em alguns momentos de sua vida teve vontade, mas certos valores e medos o barraram.

 

Agora, com raiva de si mesmo, do mundo, das pessoas, sem saber ao certo como pensar em relação à vida pensou: “Por que não?”. Olhou atentamente todo o ritual de preparação de um dos “baseados”. Viu um de seus amigos de infância “dixavar” a erva, enquanto outro já preparava um papel, misturaram um com o outro e apertaram com um galinho de árvore que estava por ali, fecharam com uma bela lambida e pronto, a felicidade momentânea em foma de ilusão. Acenderam e o ritmo da loucura começava a dominar o ambiente que ali estavam.

 

A mesma garota que conversou com ele e lhe olhava no início da festa agora sentava ao seu lado e nitidamente se propiciava em sua direção. Seus amigos discretamente aprovavam a bela moça. Porém seu interesse maior era em algo que eles nunca imaginaram que fosse acontecer.

 - Dá um pega? Disse para todos ouvirem.

 

O som parou, as gargalhadas, o papo, o assunto espirou, os olhares se arregalaram e todos olharam na mesma direção como se não tivessem ouvido direito.

Pensava que se existia tanta alegria nas pessoas que usavam a tal droga não via problema em experimentar. Todos teoricamente eram seus amigos, se algo lhe acontecesse estariam ali para acudi-lo, ao seu lado uma bela donzela que, pelo visto, teria muitos prazeres em cuidar da sua pessoa. Além do mais era apenas maconha, uma erva natural que não faz mal. Pensou em sua espiritualidade, como isso lhe afetaria, mas já não estava consciente e muito menos racional para ponderar entre o que era certo ou errado para sua vida e não chegou a nenhuma conclusão. Não ligava mais.

 

Pegou o tal de supetão, pois alguns evitavam que ele aderisse à tentação. Já estava em suas mãos, queimando, esfumaçando, instigando. Teve a mesma sensação que o levou a sair de casa, como se seu corpo não fosse dominado por si mesmo, como se alguém estivesse manipulando todas as suas ações.

Sua boca chamava o baseado como se os dois tivessem sido feitos um para o outro. Na roda alguns criticavam tal atitude enquanto outros pareciam ter prazer em ver mais um fazer parte do ciclo de loucura e perdição. A garota ao lado ficou quieta.

 

Agora com a certeza de que estava fazendo a coisa certa, iniciou o movimento da mão para a primeira tragada de sua vida. Nunca tinha fumado, nunca tinha usado nenhum tipo de droga, mas nesse momento achava que não tinha nada a perder e se a vida não tinha sido como queria até ali, pior não seria por causa disso.

Quando foi encostar na boca a garota ao lado travou seu braço e lhe perguntou?

 

- Tem certeza? Olhando-o no fundo dos olhos. Ela não fumava.

- É só um peguinha - respondeu sem o menor peso na consciência.

 

De repente ouviu um barulho de algo se quebrando, olhou para o lado e viu a segunda garrafa de vinho, vazia, caída no chão de sua sala.

 

 



Escrito por Sid às 00h14
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SE ASSUMA

 

 

 

“(...) Graças a ela enfrentei pela primeira vez meu ser natural enquanto transcorriam meus noventa anos. Descobri que minha obsessão por cada coisa em seu lugar, cada assunto em seu tempo, cada palavra em seu estilo, não era o prêmio merecido de uma mente em ordem, mas, pelo contrário, todo um sistema de simulação inventado por mim para ocultar a desordem da minha natureza. Descobri que não sou disciplinado por virtude, e sim como reação contra a minha negligência; que pareço generoso para encobrir minha mesquinhez, que me faço passar por prudente quando na verdade sou desconfiado e sempre penso o pior, que sou conciliador para não sucumbir às minhas cóleras reprimidas, que só sou pontual para que ninguém saiba como pouco me importa o tempo alheio. Descobri, enfim, que o amor não e um estado da alma e sim um signo do zodíaco.

Virei outro. Tratei de reler os clássicos que me mandaram ler na adolescência, e não agüentei. Mergulhei nas letras românticas que tanto repudiei quando minha mãe quis me forçar a ler e gostar, e através delas tomei consciência de que a forca invencível que impulsionou o mundo não foram os amores felizes e sim os contrariados. (...)” 

 Texto retirado do livro Memória de Minhas Putas Tristes - Gabriel Garcia Márquez

 

Esse texto uma amiga, Lucina Berteli, me enviou inspiradada em papos num boteco entre eu, ela e o Marcel Komatsu. Papos esses que, após muitas risadas, nos levaram a pensar em como existem pessoas, e até nós, que acabam vestindo um personagem, uma máscara, um tipo, um arquetipo, esteriótipo, deixando de ser quem realmente é sem perceber, ou então para se sentir aceito e querido perante os lugares e pessoas onde frequenta.

 

Com isso fiquei imaginando como sofrem ao deixarem de ser quem realmente são. Acho que não vale a pena vestir essas falsas armaduras pra agradar ninguém. O que vejo por ai, na noite, em trabalhos, academia, churrascos, na cerveja, até mesmo dentro de uma festa em família, são pessoas que tem certas atitudes para serem aceitas, chamarem atenção, se destacarem de alguma forma para terem um convívio falsamente harmonioso. Se iludindo na esperança de alguém gostar delas, quando na verdade quem tiver que gostar tem que gostar como somos em TODOS os lugares, principalmente em casa, mal vestido e de mal humor.

 

Vejo pessoas que bebem e saem de si, acabam fazendo bobagens inimagináveis naquele momento para impressionar, estarem no centro das atenções, serem percebidas entre os demais, se sentirem aceitas. Pura carência, falta de personalidade, de auto estima, estrutura psicologica e vergonha na cara. 

 

Nos trabalhos fucionários e patrões vestindo carapuças para fazerem bonito perante os demais, dizendo gostar de coisas que não gostam, agindo de forma que não são, tudo também para permanecerem no ambiente comum. 

 

Em família, com amigos e por aí o que mais parece é que todos deixam de ser quem realmente são para agradar quem está próximo, não fazer feio, quando na realidade o que se faz com isso é colocar quem somos de verdade embaixo do tapete, sabendo que uma hora ou outra esse tapete será descoberto. Falam e agem de forma contrária ao que realmente gostariam de ser.

 

To cansado de ver gente falando uma coisa em um lugar e o contrário em outro. Falando e agindo diferente. Sendo uma coisa aqui e outra ali. Pregando valores espirituais e morais num ambiente e em outro fazendo o contrário. Hipócritas que tentam enganar os outros, Deus, seus anjos da guarda, mas a única coisa que conseguem é enganar a si mesmos, ficando em conflito, sem rumo e depressivos depois.

 

Sei que em muitos casos temos que jogar o jogo social, do fazer moral, ceder, mas isso não pode chegar ao ponto de deixarmos de ser nós mesmos. Quem age por ai de forma a não ser quem realmente é corre o risco de perder a própria identidade, o rumo da vida, os valores morais aprendidos na história individual de vida, deixa de querer o que realmente tem vontade para assumir os desejos de quem está por perto, causando aí a maior das frustações: deixar de fazer o que quer para fazer o que o outro acha que é melhor pra você, e isso muitas vezes pode ser inconsciente mas a conseguencia totalmente viva e real, com efeitos até físicos.

 

Cuidado pois as tentações estão em todos os lugares, as influências mais ainda, tudo pode nos levar a deixarmos de ser nós mesmos. Porém, quanto mais agirmos dentro dos nossos sonhos, desejos, valores familiares e morais, quanto mais formos em busca do que realmente queremos, quanto mais assumirmos nossos sentimentos, gostos e gostares, quanto mais deixarmos aflorar nossas vontades mais profundas, tenho certeza que mais pessoas gostarão de nós pelo que realmente somos, e se o número de gente ao lado diminuir pode ter certeza que a qualidade e a sinceridade do amor delas aumentará. 

 

Vale muito mais a pena sermos nós mesmos, nos assumindo como somos, transparecendo nossos desejos sem barreiras, deixando claro que cada sentimento demonstratado é sincero e cada palavra dita é verdadeira, vindo da alma, sem mentiras e joguinhos. Assim as energias que colocarmos no mundo trarão à nossa vida quem realmente nos ama como somos e nos fará felizes.

 

 Se assuma, torne seus desejos reais através de ações, sendo sincero consigo mesmo. 

 

Não vista máscaras, quando você a tirar alguém pode se decepcionar.

 



Escrito por Sid às 12h38
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