QUEM AMA É BABACA?

Tenho observado as relações amorosas por ai e algo vem me chamando a atenção. Talvez por eu estar envelhecendo minha visão sobre o amor e seus modos loucos está mudando. O que digo é que quanto mais penso e reparo, mais certeza tenho de que a simplicidade numa relação, a sinceridade e a entrega são as coisas mais bonitas e dignas de um casal. Resumindo tenho admirado, e muito, os casais babacas e caretas.
Isso mesmo, tenho visto que ser moderninho, se fechar com vergonha de se mostrar careta não rola, é idiotice. As pessoas que se seguram achando que uma atitude ou uma palavra carinhoso é brega estão mais atrasadas que nossos avós. Sei que não existem regras para uma relação dar certo, que cada casal cria seu modo de viver e tal, mas afirmo que os casais mais tradicionais, aqueles que se declaram sem medo de que todos vejam, que tiram fotinhos "bregas" por ai, são a maioria e que duram mais.
Algumas pessoas tem a necessidade de se sentirem diferentes, chamarem a atenção de alguma forma para serem especiais, quando a realidade é que jamais seremos especiais para todos o quanto podemos ser especiais para uma só pessoa, e isso não é nada brega, nem cafona e muito menos antigo.
Outras pessoas morrem de medo se se assumirem, de serem tachadas de babacas por demonstrarem seus sentimentos a quem realmente gostam, um certo medo de sofrer por algo que é bonito. Mas é aí que se tornam tristes, quando deixam de viver um momento por alguma barreira que colocam diante uma felicidade. No futuro, os casais que vivenciam a fundo suas relações, terão mais histórias pra contar, fotos pra mostrar, bilhetinhos para ler, momentos para curitrem juntos em alguma lareira e o mais legal, tudo isso ser vivido juntos, não cada um do seu lado.
Quem está numa relação sincera deve ter orgulho da pessoa ao lado, um dos motivos que imagino ao ver casais "se escondendo" é o de estarem juntos só para não ficarem sozinhos, que não se gostam de verdade. E não venham me dizer que o modo de se amar é ser discreto, cada um na sua, sem expor as pessoas, que vou achar isso brega, vou ter certeza que quem se acha moderno, na realidade é ultrapassado.
Bonito é ver casais juntos, vendo filmes, caminhando no parque e na praia de mãos dadas, jantando, no cinema agarradinhos, nas festas em família aguentando os parentes chatos mas sempre dando um jeito de se olharem, praticando esportes um pro outro, discutindo opiniões opostas sem colocarem o ego em primeiro plano, tomar uns porres sozinhos, respeitar o silêncio alheio mas saber que quem gosta está ali e o melhor, na minha opinião claro, conversar muito, dialogar, trocar segredos e besteiras.
Pra muitos é babaca, brega e cafona, mas quem não demostra o quanto gosta à pessoa amada é o verdadeiro idiota. Amanhã não sabemos o que acontecerá e muito menos se dará tempo de ligar pra saber como está quem gostamos, de fazer um carinho ou dizer o que realmente queríamos.
Hoje temos a chance de sermos amáveis e felizes caretas, pois viver pra quem se ama, demonstrando a cada segundo esse amor da muito mais prazer...
Escrito por Sid às 19h35
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QUE CHUVA

Que chuva.
Faz cinco minutos que começou a cair.
Naquele momento os relâmpagos deram início a algo dentro de mim, despertaram um ser inerte que adormecia há muito tempo.
Decidi tomar um chá pra relaxar, pois a ânsia por um algo a mais acelerava meus batimentos descontroladamente. Desci com a caneca para sala e a chuva apertou, conseqüentemente meu desejo de sair aumentou.
Por que não? Pensei...
Só sair era pouco pra algo que borbulhada em meu íntimo, precisava de mudança, novidade, uma loucura para comemorar a felicidade que estava sentindo.
Saí pelado no meio da rua. Com a caneca na mão.
Da mesma forma que a água da chuva se misturava com o chá, os relâmpagos pareciam fazer parte do meu corpo, sua energia vinha diretamente ao meu encontro, como um para-raio humano.
Decidi correr, e corri. Durante pouco tempo, pois não queria desperdiçar minha bebida. A cada gole o desejo de tomar todas as gotas da chuva pareciam dominar minha razão, então decidi correr atrás da chuva. Infelizmente ela vinha do alto e o máximo que consegui foi ficar parado, no meio de uma esquina vazia, de madrugada, pelado, olhando pra cima.
Não sei o tempo exato em que permaneci naquele contexto, só sei que esse texto que agora escrevo será em pouco tempo, o suficiente para passar as minhas vivencias estranhas daquela noite.
Quando estava parado uma luz passou por mim, fez um barulho e seguiu, só isso.
Fui andando por uma das ruas e percebi que minha vontade era de encontrar o meu destino, se é que ele existe. O problema era saber qual. Tomei mais gole e me deixei levar pelas gotas que vinham do céu, unidas pelo vendo que vinha de algum horizonte.
Um torpor tomou conta de mim e quando percebi estava na porta da minha amada, de ponta cabeça, excitado, louco, molhado, com uma vontade tremenda de gritar seu nome e arrancá-la daquela prisão, trazê-la para o meu mundo de piração, de chuva, de tesão.
Tudo aquilo tinha um motivo, uma justificativa que fugia totalmente da minha lucidez. Comecei a rolar no chão e fui assim durante alguns quarteirões, até parar enfrente uma igreja. Olhei para a porta e vi uma imagem santa, que me iluminou, tanto quanto os relâmpagos da chuva ainda teimavam em moldar meu corpo.
Percebi a provação que estava vivenciando, o bem e o mal falando dentro numa única voz, a da paixão. Por um lado o devaneio tomava conta e me levava a sair correndo mais uma vez, pelado, pulando, pelas ruas sem direção, abraçando as árvores sem medo dos resultados e conseqüências. Por outro, me escondia dos humanos, de seus questionamentos e julgamentos, tinha medo deles, do que pensariam ,tremia quando algum ser se aproximava, me escondendo de sua visão hostil nas sombras dos meus desejos.
Nada era em vão, eu não estava nada são, tudo parecia uma simples sensação, porém, quanto mais me distanciava de mim mesmo, mais me aproximava do meu ser amado, parecendo que minha utopia era a de sair do meu corpo para encontrar com a alma dela. Só que o que eu mais queria era o corpo dela.
Mais uma luta que não venci, meu desejo carnal se misturando com o irreal.
Meus pés já sujos e sangrando de tanto andar me levaram para a rua onde moro, aí parei enfrente minha casa, olhei sem reconhecê-la, com a sensação de ter me desprendido de tudo e todos, que poderia viver pelado para sempre, comigo mesmo vagando por aí me alimentando da água que caía, da lembrança do amor que à mente vinha.
Minha caneca ainda estava em minhas mãos, com o resto do chá frio, ruim, amargo. Dei o último gole na esperança dele me levar para outros lugares, outros mundos, com a mesma pessoa, viajando sem rumo, pelados, parados, sem parar, fazendo o mundo dar voltas em torno de mim.
A chuva ainda cai, fraca, como eu. Termino de escrever e acabo a noite pelado, com minha caneca nua, sozinhos, dormindo molhados de um suor que quebrou a distancia, o limite e o tempo de se amar.
Escrito por Sid às 01h18
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