AMOR BOLHA

Andando pelo parque sempre viajo vendo as pessoas se divertindo. Da ultima vez fiquei observando crianças brincando com bolinhas de sabão. Cada vez que uma bolha estourava, elas corriam em busca de outra que lhes chamasse a atenção e brincavam com esta até também se desfazer, seguindo para uma terceira e, assim, sucessivamente.
Você já reparou que existem pessoas e amores bolha? Isso mesmo.
Em vários momentos da vida certas pessoas tratam e são tratadas como essas distrações das crianças, onde a conseqüência é muito maior do que simplesmente molhar um pouco a pele. No caso, o que se molha é o coração.
São relacionamentos amorosos movidos às vontades da carne, do corpo, do instinto.
O que vejo por ai, e não nos parques, mas reparando nas relações, é que tem gente usando quem está ao lado até acabar o que agrada, até estourar o ar que mantém o interesse vivo, depois deixando de lado e muitas vezes secando rapidinho os restos para partir em busca de outro alvo.
São os impulsos de quem ilude os que se abrem e se entregam realmente, seres egoístas que pensam muito mais no próprio umbigo, em resolver seus problemas individuais, satisfazer suas carências sem pensar nas alheias, resolver seus problemas sem ajudar o outro, viver uma vida em função do si, esquecendo, deixando de lado quem precisa das mesmas soluções e está ali lhe ajudando.
Quando algo não está bom num relacionamento, a humildade deve prevalecer, o sentimento de união, compaixão e companhia deve estar acima do orgulho e do egoísmo. Mas só se essa pessoa quiser resolver tal situação, claro.
O que se tem sem essa compreensão são as relações bolha, onde as vontades momentâneas e as prioridades individuais são mais valorizadas do que o simples fato de estar ao lado de quem supostamente se gosta. São romantismos deixados de lado por racionalismos hipócritas.
A falta de um coração puro e aberto faz muitas pessoas acreditarem que o amor não é tudo, que o sincero amar vem depois dos problemas diários, picuinhas e discussões sem ofensas. É uma fuga de quem não consegue vencer as barreiras individuais e superar os obstáculos da vida, que sempre existirão, superando tudo e todos, demonstrando que o maior presente de Deus é o amor. Mas isso se ele realmente existir pra essa pessoa.
O que é da carne é da carne, o que é do espírito é do espírito.
Os amores bolha vem e vão, vontades passageiras de estarem juntos, falsas relações que deixam estragos em quem acreditou na mentira, depois se vão, dando espaço para outra bolha, maior e mais colorida e que vai sofrer a mesma desilusão. Assim, as uniões artificiais vão sendo cada vez mais freqüentes, alimentadas por pessoas que não tem valores de família, que traem o principio básico do estar junto: sinceridade de sentimento e parceria.
Não existe maior força do que o amor, ele supera tudo quando é do fundo da alma, vence as dúvidas e muda os concretos pilares de quem realmente gosta. Quando de verdade, não dura pouco, não distrai e diverte apenas por alguns momentos para depois ser deixado de lado como um brinquedo de criança na hora do almoço.
Sempre teremos escolhas a optar, os caminhos mais fáceis: atalhos que nos levam a conseqüências também mais superficiais e banais, ou o caminho reto, que terá lombadas e dificuldades para fortalecer as estruturas de uma relação, deixando inquebrável a união dos dois corações, a linha que une as duas almas.
As bolhas estão e sempre estarão por ai, as pessoas que usam e abusam das outras também, com satisfações rápidas, iludindo, aproveitando e não valorizando quem está ao lado, levando em conta sempre si mesmo, sem agradar quem merece, quem está ao lado.
A única regra do amor é que ele tem que ser sincero, vir de dentro, do espírito, ter verdade não só nas palavras, pois elas são ditas da boca e ficam dentro de quem fala e no ar, e sim em simples atitudes, que são de dentro pra fora e demonstram fisicamente as intenções.