SOMOS A NOSSA VOLTA

Pensando sobre muitas coisas que acontecem à minha volta, reflito em até que ponto faço parte disso tudo. Não importa o que, imagino de alguma forma contribuir para o bem ou para o mal.
Sim, acho que tudo é um ciclo que paira sobre nossas vidas, também acredito que temos influência direta sobre acontecimentos próximos, somos acometidos a ações e intenções muitas vezes implantadas em nossa mente sem que percebamos.
Falo da realidade em que vivemos, da violência que sofremos, muitas vezes causada por nós como conseqüência de atitudes que não intencionávamos, resultados não premeditados dos nossos passos e do nosso egoísmo.
Quando algo acontece à nossa volta, com pessoas próximas ou mesmo conosco, sofremos total abalo em nossas vidas, e assim, nossa reação é o que vai derivar os próximos dias.
Se ignorarmos o que vemos, estamos automaticamente, admitindo qualquer que seja o acontecimento. Muitas vezes o fato de não estarmos presentes no ato final de uma tragédia ou sofrimento, não indica sermos inocentes.
Se tudo no mundo está ligado de alguma forma, nossos pensamentos, emoções e atitudes vão tornar outras uma verdade.
Tapar os olhos com os óculos da ignorância só leva a mais ignorância. Deixar de repararmos nos fatos à nossa volta só trará como retorno algo pior do que foi ignorado, pois nesse mundo cão, tanto quanto fazer uma besteira é fingir não a ver. Na balança cruel da vida, jogar a sujeira para baixo do tapete só aumenta a bola de neve que um dia teremos que enfrentar.
Daí veio minha reflexão solitária.
Se quando eu acordo tiver boas atitudes, pensamentos do bem e acima de tudo ações que tornem a vida das pessoas à minha volta um pouco melhor, quando alguém no final do dia vier ao meu encontro, talvez eu seja retribuído com a mesma energia que tentei passar ao longo dele.
Não falo de sorrir pra qualquer um ou conversar com todos, ser simpático de bobeira ou o exemplo da pureza. Não, eu penso que antes de qualquer atitude que eu venha a tomar, devo imaginar qual será o resultado final, ou então, se pretendo continuar algum tipo de ciclo que chegou até mim.
Poderia citar muitos deles, físicos como pirataria ou drogas e emocionais como fofocas e papos sobre pessoas. Só que no fundo não importa o que, mas sim como cada um de nós quer transformar a redoma em que vivemos, o exemplo que somos e a verdade que escolhemos no jardim que plantaremos nosso futuro.
Devemos assumir nossos papéis, saber que tudo que fazemos ou falamos tem um resultado diretamente proporcional ao tamanho de nosso envolvimento, que tudo volta às nossas mãos como troca do que saiu de nosso íntimo.
Acredito que os fins são os meios que colocamos em prática, que somos nós quem guiamos nossa rota, vivendo hoje o que de alguma forma, lá trás, aceitamos, ou deixamos de lado, algo que agora nos faz bem, ou mal.
Enfim, ser submisso ou tolerante ao erro pode resultar numa resposta muito dolorosa. O tempo é cruel e tão implacável que trás de volta tudo que jogamos no ventilador da existência.