Em nossa caminhada sempre teremos altos e baixos, que nos mostram e nos encaminham para um destino escolhido por nós. Alegrias e tristezas que ditam nosso cotidiano sempre farão parte de nossa existência e convivência.
Saber superar os obstáculos é um dos objetivos do nosso aprendizado terreno. Para isso, mais importante do que passar por cima de circunstancias que não nos agradam é perceber onde está e foi o erro, medi-lo, encará-lo e descobrir suas raízes. Assim, quando outro problema parecido vier de frente, já vai ter ficado pra trás e só terá tempo de ver nossas costas.
Acredito que não devemos fazer toda essa auto-avaliação e análise só para o que nos acontece de ruim, pelo contrário, temos que enxergar em nossa vida o que nos deixa felizes, o que nos motiva a viver, nos fortalece perante decisões, os apoios que temos quando os alicerces já não estão muito estáveis, saber cada molécula do corpo que se anima em determinadas situações.
Quando podemos nos olhar de frente, sem máscaras e com consciência, dialogamos com nosso íntimo na busca de respostas individuais, que concretizam passadas seguras. Mais do que saber vencer e superar as batalhas, ter a percepção de onde resgatamos nossas energias é um crescimento importante para se tornar uma pessoa bem resolvida.
Decidi escrever estas palavras, pois ando vendo muita gente dando mais valor ao que acontece de ruim com elas. Discussões, confusões, brigas, desavenças, picuinhas, discordâncias, traições, orgulhos, falta de humildade e muitas outras avarezas que nos enchem de peso o corpo, que deveria estar leve.
Pois bem, enquanto dermos mais valor ao que nos desaponta mais decepcionados ficaremos, quanto mais importância dermos ao que nos faz mal pior ficaremos, pois agindo assim, estaremos dando muita atenção ao que nos faz sofrer, aumentando nosso tempo para o que não deveríamos e perdendo outro para o que nos torna felizes.
Se conseguimos perceber o que não nos é bom, sabemos também o que agrada. Se ao invés de buscarmos o caminho do sofrimento, resgatarmos o que nos faz bem, talvez possamos concentrar os pensamentos em melhores fluídos.
Se a fase da vida não é boa, lembremos o que um dia nos fez bem. Dessa forma, resgatando momentos que nos deixaram leves, poderemos visualizar o que realmente gostamos, pesar se é possível vivenciar novamente tais situações, e voltar a buscar o que nos completa.
Para isso devemos aplicar o desapego, sair da prisão que, sem perceber nos enjaula, abrir a mente para medir se é possível concertar ou será melhor abandonar o que quer que seja. O medo vem, a insegurança bate, o vazio passa perto, e muitas outras sensações desafiam nossa força e nosso real querer, e aí, a verdade cada um tem que encontrar dentro de si e buscar a felicidade.
Alcançá-la é ter a percepção da energia que um dia nos fez bem e descobrir onde ela habita em nossas vidas de agora.
Ela sempre está próxima. Resgatá-la é simplesmente um trabalho de quem realmente quer melhorar espiritualmente. Se um dia fomos felizes, em algum lugar do nosso corpo e de nossa alma a alegria habita, se tivemos bem-estar dentro de nós, pode ter certeza que ela está lá, e se quisermos podemos transformar o momento atual, não igual ao que passou, mas com a mesma carga benéfica que sabemos que temos no íntimo da alma.
Devemos deixar de lado o que nos aflige, superar tudo que nos barra, lembrando e tendo a consciência de que a plenitude está dentro de nós como um dia já esteve. Se já tivemos momentos sublimes significa que sabemos o caminho, se ainda estamos vivos é tempo de nele seguir, e se formos em busca do sentimento que nos deixa saudade, de um modo diferente, novo, com pessoas atuais, o encontraremos hoje, e lá na frente concretizaremos a felicidade.